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Entre o céu e o Mar

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 Faltavam poucos dias para voltar ao trabalho, então resolvi viajar para ver o mar, mesmo com medo de ir para um lugar que eu ainda não conhecia e, sim, tenho essas dificuldades em sair ou viajar sozinha, mas mesmo com medo eu acabo indo e desta vez não foi diferente; eu fui. Comprei as passagens pelo aplicativo, chamei um carro que me deixou no metrô e de lá segui para a rodoviária com destino à Ilhabela. Pode parecer estranho, eu morando em São Paulo a mais de 40 anos e nunca ter ido a essa cidade tão perto da capital. Mas, o que me parecia estranho, na ilha, deixou de ser...  Esse ônibus que eu peguei faz algumas paradas pelo caminho, incluindo a rodoviária do aeroporto de Guarulhos e a poltrona que estava vazia onde embarquei, foi ocupada por uma senhora argentina de Buenos Aires, que ao longo do caminho fomos conversando um "portunhal" com mímicas, porque ela falava inglês, espanhol e italiano, e eu apenas o português. Durante o caminho, eu ia pensando comigo mesma que s...

Sete dias de praia, oito dias na Cabana

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 Uma amizade acabou, duas passagens compradas e eu fui para uma praia em Santa Catarina. Peguei a mala, a bolsa e fui para minha primeira viagem sozinha. Reservei uma cabana num camping na Praia do Tabuleiro de frente para o mar.  Numa tarde de julho em São Paulo, seis meses após essa viagem, me veio a inspiração de escrever esta publicação. Eu precisava contar para as leitoras sobre a minha coragem. Tem gente que não saí de casa, muito menos do seu sofá ou da vida que tem para se aventurar por ai onde seus sonhos ou desejos buscam algo mais intimo consigo mesmas. Foram horas de viagem quando cheguei de ônibus e desci naquela rodoviária quase fantasma. O céu estava nublado e o dia cinzento. Com meu fone no ouvido e o celular no bolso, ia seguindo as orientações do gps, arrastando a mala quando começou a chover torrencialmente. De dentro da bolsa tirei a capa de chuva para continuar caminhando até que consegui pedir um carro pelo aplicativo, que me levou até a minha hospedagem....

Não só de vinho vivem as mulheres

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 Esses últimos dias tem sido diferentes. Sabe quando pedimos um sinal ao universo e as coisas acontecem? Hoje tomei uma taça de vinho tinto seco para acompanhar algumas fatias de panetone vegano, porque afinal não preciso esperar o natal para celebrações ou fazer a comida do próximo evento, de forma parcelada, porque eu não tô nem um pouco a fim de cozinhar e como uma louca, um dia inteiro na frente do fogão. Esta semana está sendo diferente, quase tudo diferente. Segunda fiz o arroz e congelei; e preparei a mala com roupas de cama e banho, troquei algumas palavras com um querido amigo. Na terça, fiz o molho para a linguiça vegana e separei parte das roupas que vou levar na viagem. Na quarta cozinhei as batatas para preparação da salada com maionese vegana, fiz natação, fui à consulta, fiz terapia, assisti uma deliciosa comédia e acolhi um amigo num momento difícil. Na quinta, encerrei o ano letivo, troquei a calça jeans que ficou grande, peguei a encomenda que vai para Boston, me ...

Vozes da Liberdade

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Hoje tive o prazer de fazer uma palestra numa EMEF aqui em São Paulo, a convite da professora, que trabalhou com seus alunos o livro "Cartas de Olga Benario Prestes: uma comunista  nos arquivos da Gestapo". Fui até lá para contar especificidades da minha história e de um dos meus ancestrais que escrevia cartas para familiares de seus amigos, conhecidos e desconhecidos árabes.  Enquanto eu contava minha história vivenciada por minhas experiências de filha e neta, também fiz uma viagem pela minha infância enquanto aluna nos tempos sombrios da ditadura no Brasil, quando o silêncio era iminente por questões de "ordem" e juramento à bandeira diariamente no pátio da escola. Numa época que os telefones eram grampeados e que por preservar familiares, as conversas eram superficiais. Durante o ano, os alunos da professora P liam as cartas, interpretavam o texto, compreendiam como tinha sido a vida de Olga, quem tinha morrido e quem ainda vive; eu relatava lembranças de uma in...

Abro, restauro e construo

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 Abro as redes sociais e olho as fotos de todas as mulheres que sigo, foto por foto e penso em mim, quando as nossas vidas se encontraram e quais os propósitos que tivemos quando nos tornamos íntimas quanto amigas. Olho cada rosto e lembro do que compartilhamos de mais intenso, das histórias de nossas vidas, do que foi experienciado, das ideologias, dos avanços e conquistas, das renúncias e das batalhas sociais e emocionais, das inúmeras tentativas de mais uma chance, dos caminhos trilhados, dos obstáculos vencidos. Olho para cada foto, dos rostos de cada amiga e penso que sou incrível por me permitir conhecê-las e às suas histórias, por sermos mulheres. Penso que somos incríveis por sermos tão diferentes e tão batalhadoras por sermos mulheres!! Não somos perfeitas, somos nós!! Vai ter dias que vou sentir saudades de tê-las tão perto, mas vou lembrar das nossas risadas, das nossas histórias e das nossas lágrimas compartilhadas.  Hoje somos mulheres parceiras e não mais rivais....

SEGREDOS

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 Numa "casa" sempre vai ter pelo menos uma porta, para abrir e fechar, receber ou não as pessoas de fora, para entrar e sair. Alguém deve morar dentro desta morada, uma pessoa calada, uma pessoa falante, uma pessoa que guarda segredos... Uma porta que se fecha também guarda memórias, histórias, crenças, protege ou assume papéis sociais que não sabemos quais. Uma porta reserva o direito das pessoas se comunicarem, se revelarem, se protegerem, se contaminarem. Uma porta assume figuras ou papel de parede como fundo de muitas cenas que talvez nunca serão reveladas, serão guardadas para o eterno, quando cada pessoa carrega na sua memória suas histórias. Quantos segredos uma porta de casa guarda? Presente, passado ou futuro? Sei que a porta é colocada quando a casa foi construída, mas as relações são construídas quando as pessoas se relacionam umas com as outras?  Numa relação dialogada, uma porta sempre é aberta. Numa relação calada, uma porta sempre é fechada. Numa relação dialog...

Entre rosas e furacões

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 Não são apenas espinhos porque esses tiramos e curamos as feridas, mas um furacão é a tempestade que não depende de escolha e vontade. Quando estamos no olho do furacão, o jeito é se agarrar a qualquer coisa que seja firme e forte, para ser capaz de te proteger. Seja lei ou direito, se preserve e se proteja de qualquer porco que tenha ganhado pérolas. Não grite, mas não se cale, apenas continue caminhando, só que agora com mais precauções. Mesmo que se sinta caminhando num jogo de percurso, quando o dado te faz voltar 10 casas; volte e percorra tudo de novo com a mais alta convicção que você está no caminho do bem, fazendo o bem e que Ele mora dentro de ti. Não deixe que o medo de caminhar te paralise e nem te limite, mas que te mova cada vez mais, assim como o vento que levo o barco à vela à frente. Mantenha-se determinado, corajoso, capaz de ressignificar seus instantes mais dolorosos. Seja por mar, por ar ou por terra, mantenha-se em movimento constante e com fé que tudo vai da...